Turismo de nascimento: russas buscam cidadania para filhos
Descubra como o turismo de nascimento se tornou uma estratégia de emigração para famílias russas e o impacto nas políticas migratórias. Confira agora.
O turismo de nascimento consolidou-se como um fenômeno migratório expressivo entre cidadãs russas após a deflagração da guerra em grande escala contra a Ucrânia. Milhares de mulheres, receosas quanto ao isolamento internacional da Rússia e ao futuro de seus filhos, passaram a buscar o parto em países estrangeiros. O objetivo central vai além da assistência médica de qualidade, focando na obtenção de uma segunda cidadania para o recém-nascido, o que facilita o acesso a educação, trabalho e livre circulação global.
A ascensão e a regulação do turismo de nascimento
Muitas famílias priorizam nações que adotam o princípio do jus soli , onde a cidadania é concedida automaticamente pelo local de nascimento. Contudo, o aumento expressivo desse fluxo forçou diversos governos a reavaliarem suas políticas migratórias. A Argentina, por exemplo, tornou-se o destino principal após 2022, atraindo cerca de 10,5 mil gestantes russas apenas naquele ano, devido à facilidade de entrada e aos benefícios sociais oferecidos.
A estratégia argentina, contudo, sofreu mudanças drásticas sob a gestão de Javier Milei. O governo endureceu as regras, exigindo agora dois anos de residência legal para que os pais possam pleitear a naturalização. Como resultado, os pedidos de residência por cidadãos russos no país despencaram de mais de 7 mil em 2023 para menos de duas mil solicitações em meados de 2025. Para mais detalhes sobre o cenário global, consulte as últimas notícias .
Com o fechamento das portas na Argentina, o interesse migratório deslocou-se para o Brasil. O país tornou-se um destino estratégico devido a fatores específicos:
O passaporte brasileiro permite acesso sem visto a 161 países, incluindo o espaço Schengen. Filhos mais velhos podem obter a cidadania brasileira por procedimento simplificado em um ano. Pais e avós possuem caminhos claros para a residência e posterior naturalização. As estatísticas confirmam essa tendência de longo prazo. Em 2024, 477 russos obtiveram a cidadania brasileira, número que subiu para 613 em 2025, sendo a maioria composta por mulheres. O Brasil é visto, portanto, não apenas como um local de parto, mas como uma base sólida para a reestruturação familiar no exterior.
Outros destinos, como o Chile, também ganham destaque pela alta qualidade hospitalar e estabilidade política, oferecendo uma alternativa com custos mais acessíveis que os Estados Unidos. Enquanto isso, nações como Irlanda, Austrália e Nova Zelândia já haviam abolido a cidadania automática por nascimento para conter abusos. O cenário demonstra que, à medida que o fluxo se torna massivo, os Estados tendem a restringir as brechas legais para proteger seus sistemas migratórios.
Fonte: pt.euronews.com