Destaque Nortão

Tragédia no Himalaia: mortes por enchentes e deslizamentos e

O número de vítimas fatais após avalanches e inundações na fronteira entre Nepal e Tibete ultrapassou mil. Milhares seguem desaparecidos enquanto o governo chin

O número de vítimas fatais após avalanches e inundações na fronteira entre Nepal e Tibete ultrapassou mil. Milhares seguem desaparecidos enquanto o governo chinês é criticado.

O Ministério das Relações Exteriores do Nepal confirmou nesta terça-feira que o saldo de vítimas fatais decorrentes da catastrófica avalanche e das inundações subsequentes na região fronteiriça com o Tibete atingiu a marca de 1.010 pessoas. O governo nepalês mantém uma mobilização massiva, contando com o apoio de aproximadamente 21 mil policiais e militares dedicados às operações de busca e resgate, fornecendo atualizações constantes sobre o cenário no país.

Em contrapartida, a postura das autoridades chinesas na região autônoma do Tibete tem sido alvo de severas críticas. Enquanto o Nepal detalha a dimensão da crise, Pequim mantém um silêncio rigoroso. A mídia estatal da China reportou oficialmente apenas 16 mortes, um número que ativistas tibetanos e observadores internacionais classificam como uma subestimação drástica da realidade observada no terreno.

Lok Bahadur Chhetri, porta-voz da chancelaria nepalesa, esclareceu que o balanço de 1.010 mortos refere-se exclusivamente aos corpos que já foram recuperados. A situação permanece crítica, com cerca de 4 mil pessoas ainda listadas como desaparecidas, entre as quais estima-se a presença de 590 cidadãos estrangeiros de 39 nacionalidades diferentes. Até o momento, as equipes de socorro conseguiram resgatar mais de 11,8 mil indivíduos, incluindo 324 estrangeiros.

As prioridades estabelecidas pelo governo do Nepal concentram-se no salvamento de vidas, na localização dos desaparecidos e na prestação de assistência humanitária urgente. Agências internacionais estimam que dezenas de milhares de pessoas foram diretamente afetadas pelo desastre. Equipes especializadas em resgates subterrâneos estão empenhadas em acessar túneis de usinas hidrelétricas ao longo do rio Trishuli, como as instalações de Chilime, Langtang e Trishuli 3A, onde há o temor de que trabalhadores estejam presos.

A discrepância nos dados oficiais é evidente. Enquanto a China cita 16 mortos e 546 desaparecidos, a Rádio Tibete, operando a partir da Índia, aponta para pelo menos 25 mortes na região. Relatos de tibetanos exilados indicam que cinco vilarejos foram atingidos e que rituais funerários já estão sendo conduzidos para cerca de 24 pessoas. Além disso, há preocupações sobre o paradeiro de diversos trabalhadores de Lhasa e Shigatse que estariam em um canteiro de obras no momento em que a torrente de água e lama atingiu a área.

A Campanha Internacional pelo Tibete, por meio de sua presidente Tencho Gyatso, solicitou formalmente que Pequim divulgue dados transparentes e verificáveis. O grupo sustenta que fontes locais relatam a destruição de mais de 300 casas em quatro vilarejos distintos. Em meio ao luto, o líder espiritual Dalai Lama, exilado na Índia desde 1959, manifestou solidariedade e afirmou estar em orações pelas vítimas.

O governo chinês, por outro lado, tem adotado uma postura repressiva contra a circulação de informações não oficiais. O Ministério da Segurança Pública da China anunciou que está identificando e punindo indivíduos que compartilham dados sobre a crise, sob a alegação de que estariam propagando informações falsas ou números superestimados, embora os detalhes das sanções não tenham sido revelados.

Sobreviventes descreveram o fenômeno como um tsunami no coração do Himalaia. A força da avalanche foi tão intensa que o impacto inicial foi confundido com um terremoto, resultando na destruição total de pontes e habitações. A influência do desastre estendeu-se para além das fronteiras imediatas: a Índia reportou a recuperação de 17 corpos no estado de Uttar Pradesh, que teriam sido arrastados pela força das águas.

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, classificou o evento como um desastre atípico, diretamente relacionado às mudanças climáticas, e apelou por uma resposta coordenada da comunidade internacional. Embora a causa exata do colapso glacial ainda seja objeto de investigação, cientistas alertam que o aquecimento global está acelerando o derretimento das geleiras no Himalaia, a cordilheira mais alta do mundo, elevando significativamente o risco de catástrofes dessa magnitude.

Fonte: rdnews.com.br