Submarino nazi com carga de mercúrio gera impasse na Noruega
O submarino nazi U-864, naufragado na Noruega, contém toneladas de mercúrio tóxico. Confira agora o dilema ambiental sobre a remoção dos destroços.
O submarino nazi U-864 permanece como um desafio ambiental crítico a 150 metros de profundidade, próximo à ilha norueguesa de Fedje. O navio, que afundou durante a Segunda Guerra Mundial, carrega uma carga estimada entre 65 e 67 toneladas de mercúrio, substância que ameaça o ecossistema marinho local há mais de oito décadas.
O perigo do submarino nazi no fundo do mar
A história do U-864 remete a fevereiro de 1945, quando o submarino seguia para o Japão com especialistas e suprimentos bélicos. A embarcação foi interceptada e afundada pelo submarino britânico HMS Venturer, após a decodificação de comunicações alemãs. O ataque resultou na morte de todas as 73 pessoas a bordo, marcando um episódio singular na história naval.
Após décadas de esquecimento, os destroços foram localizados em 2003 pela Marinha norueguesa. O navio encontra-se partido em dois, parcialmente enterrado em sedimentos. A preocupação central reside na toxicidade do mercúrio, que não é biodegradável e pode persistir no ambiente por séculos, transformando-se em metilmercúrio, uma forma altamente tóxica que se acumula na cadeia alimentar.
A Administração Costeira Norueguesa (Kystverket) realizou novas inspeções em 2025 utilizando tecnologias avançadas, como:
Veículos subaquáticos telecomandados (WROVs); Câmaras de alta resolução 4K; Modelagem tridimensional detalhada dos destroços; Métodos de medição acústica e fotogrametria. As investigações recentes confirmaram o estado precário dos recipientes. Durante operações em 2026, a recuperação de 22 contentores revelou que cerca de 80% deles estavam danificados, com vazamentos que liberaram meia tonelada de mercúrio no ambiente marinho. Portanto, as autoridades enfrentam um dilema complexo sobre como proceder com o sítio arqueológico contaminado.
Atualmente, a Kystverket recomenda o isolamento permanente dos destroços através de uma cobertura, em vez de uma tentativa de resgate total. A avaliação técnica sugere que uma operação de remoção em larga escala poderia causar uma dispersão de poluentes ainda maior do que a atual. Contudo, essa solução exigiria monitoramento constante a longo prazo.
Para mais informações sobre o tema, consulte a nossa categoria de notícias. Enquanto o debate sobre a estratégia de contenção continua, as autoridades monitoram regularmente a fauna marinha da região. Até o momento, as análises de peixes e mariscos indicam níveis de mercúrio estáveis, sem apresentar riscos imediatos alarmantes para a população local.
Fonte: pt.euronews.com