Professor aciona OAB contra advogado de aluna que o denuncio
Docente afastado da UFMT e sua esposa pedem investigação contra advogado de estudante, alegando vazamento de documentos sigilosos do caso para a imprensa.
O professor Saulo Tarso Rodrigues, afastado de suas funções no curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), protocolou uma representação junto ao Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT). A medida, assinada também por sua esposa, Josete Maria da Silva, é direcionada ao advogado Yuri Machado, responsável pela defesa da estudante que acusa o docente de assédio sexual e perseguição.
De acordo com o documento, o casal sustenta que o advogado estaria compartilhando prints e documentos de um processo que tramita sob sigilo judicial com órgãos de imprensa. O caso ganhou repercussão após a aluna relatar importunação sexual e episódios de perseguição que teriam se iniciado em fevereiro de 2026.
Devido aos riscos à integridade psicológica da jovem, o juiz do plantão criminal da Comarca de Cuiabá, Marcos Terencio Agostinho Pires, determinou que o professor mantenha uma distância mínima de 500 metros da vítima, de seus familiares e das testemunhas do processo. Paralelamente, a UFMT instaurou uma investigação preliminar por meio de sua Corregedoria, resultando no afastamento cautelar do docente. Em agosto, Saulo chegou a ser preso por descumprir medidas protetivas, sendo colocado em liberdade na última terça-feira (1º).
Na petição apresentada à OAB, os representantes questionam a origem dos materiais divulgados publicamente. O texto destaca: “O que se busca é a apuração de circunstâncias objetivas que ultrapassam o exercício ordinário da defesa, especialmente diante da aparente divulgação pública de prints, mensagens, informações, documentos e elementos relacionados a procedimentos que possuíam natureza sigilosa”.
O casal aponta que reportagens publicadas na capital mato-grossense utilizaram informações obtidas com exclusividade, o que, segundo eles, exige esclarecimentos sobre quem teria fornecido tais documentos. Eles questionam quem possuía acesso aos arquivos, quem realizou as capturas de tela e se houve participação direta ou indireta do advogado ou de sua cliente na exposição dos dados, incluindo o endereço residencial da família do professor.
Além disso, os autores da representação argumentam que a divulgação de detalhes do caso, enquanto as investigações ainda estão em curso, configuraria uma tentativa de promover um julgamento público antecipado. Eles enfatizam que não pretendem restringir o direito de defesa ou a liberdade de imprensa, mas sim verificar se houve excessos éticos na atuação profissional do advogado.
Conforme os relatos registrados na Polícia Civil, a aluna descreveu que o professor teria adotado comportamentos impróprios, como convites insistentes para sair e tratamento diferenciado em sala de aula. Em um dos episódios relatados, o docente teria tocado a perna da estudante sem consentimento durante uma aula e, posteriormente, enviado uma mensagem comentando a vestimenta da jovem.
Outra situação mencionada envolve um gesto de aproximação física indevida durante uma palestra, que teria sido presenciado por outros alunos. Após a estudante bloquear o contato do professor, a perseguição teria persistido por meio de mensagens enviadas pelo telefone da mãe do docente e abordagens em redes sociais. A esposa do professor também teria entrado em contato com a aluna após encontrar o número dela no celular do marido.
Em sua defesa enviada à Corregedoria da UFMT, Saulo Tarso Rodrigues negou todas as acusações, classificando a relação com a aluna como estritamente acadêmica e profissional. Ele contestou a integridade dos materiais digitais apresentados pela estudante, afirmando que não partiu de seu aparelho qualquer mensagem de cunho amoroso.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) acompanha o desenrolar das investigações, que seguem sob segredo de justiça. Em nota, o advogado Yuri Machado informou que ainda não foi formalmente intimado sobre o procedimento na OAB, mas que prestará todos os esclarecimentos necessários assim que for notificado. A OAB-MT, por sua vez, esclareceu que os processos no Tribunal de Ética tramitam em sigilo, com resultados disponibilizados publicamente apenas após o julgamento.
Fonte: rdnews.com.br