Destaque Nortão

“Polyester”: entenda o novo insulto da Geração Z e por que e

O termo “polyester” tornou-se a nova gíria da Geração Z para rotular o que é falso ou artificial, refletindo uma busca crescente por autenticidade e consciência ambiental.

Termos como Rizz , Delulu , Locked In , Glow Up , FRFR e Aura Farming compõem o vocabulário em constante mutação da Geração Z e da Geração Alfa. A rapidez com que essas expressões se tornam virais nas redes sociais é notável, transformando nichos em tendências globais em poucos dias. Quem não acompanha esse fluxo corre o risco de ser rotulado como “Unc” — abreviação de uncle (tio), usada para zombar de pessoas consideradas ultrapassadas ou desconectadas das novidades.

A mais recente adição a esse léxico digital é a palavra “polyester”. Embora o termo remeta ao polímero sintético, seu uso atual nas redes sociais, especialmente no TikTok, serve para classificar algo como genérico, inautêntico ou excessivamente forçado. Seja um momento supostamente espontâneo que revela ser uma encenação, um pedido de desculpas público que soa vazio ou um influenciador promovendo produtos com um entusiasmo artificial, tudo pode ser classificado como “polyester”.

Para os millennials , o termo pode ser comparado ao conceito de “basic”, mas a versão da Geração Z possui camadas adicionais de complexidade. Antes de se tornar um sinônimo de falsidade, a palavra era utilizada para descrever um estilo de edição de vídeos de fãs no TikTok, que misturava cenas frenéticas de personagens com efeitos visuais intensos.

A transição para o significado atual ocorreu após um vídeo viral de um jovem de 18 anos, que descrevia sua rotina ideal: acordar às 6h em uma cobertura em Nova Iorque, realizar estudos bíblicos, consumir bebidas orgânicas e correr no Central Park, tudo enquanto um assistente virtual cuidava de seu trabalho. A internet rapidamente rotulou o conteúdo como “estilo de vida polyester”, por ser uma peça de marketing pessoal calculada para o algoritmo.

A escolha do termo não é aleatória e carrega uma crítica direta à fibra sintética mais produzida no mundo. As gerações mais jovens estão em um movimento de afastamento das marcas de fast fashion , que oferecem roupas de baixa durabilidade e toque desagradável. Esse comportamento reflete uma preocupação ambiental real, já que o poliéster não é biodegradável e contribui para a liberação de microplásticos no ecossistema.

O uso da palavra transcende a moda e se torna uma ferramenta de denúncia contra o consumo desenfreado. Ao rotular algo como “polyester”, os jovens também estão criticando modelos de negócio predatórios, frequentemente associados a grandes varejistas globais. O termo, portanto, funciona como um alerta contra a falta de sustentabilidade e a superficialidade das promessas corporativas.

Em um espectro mais amplo, a popularidade dessa gíria demonstra que as gerações nativas digitais estão desenvolvendo um olhar crítico sobre a natureza artificial de influenciadores, empresas e figuras públicas. O termo se junta a outras expressões como Larping , Slop , Performative Male e Industry Plant , todas focadas em questionar a autenticidade do que é apresentado online.

Embora gerações mais velhas possam ver o termo como apenas mais uma moda passageira, ele é um reflexo de uma desconfiança saudável em relação ao artificial. Em um cenário onde a inteligência artificial torna cada vez mais difícil distinguir o real do simulado, essa intolerância à falta de sinceridade revela um desejo genuíno por transparência. Ao compreender o peso de “polyester”, você se mantém atualizado e evita o estigma de ser um “Unc” desconectado da realidade.

Fonte: pt.euronews.com