Pivetta pode ficar sem dinheiro para fazer campanha
A advogada Elvira Batista Nunes pediu à Justiça de Mato Grosso a penhora de recursos de campanha do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) por uma dívida nã
A advogada Elvira Batista Nunes pediu à Justiça de Mato Grosso a penhora de recursos de campanha do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) por uma dívida não paga que, segundo a credora, já supera R$ 21 milhões.
O pedido, obtido com exclusividade pelo Isso É Notícia, foi feito no âmbito de uma ação de cumprimento de sentença que tramita na 3ª Vara de Nova Mutum. A cobrança se refere a honorários de sucumbência de uma ação que discutiu a posse de uma grande área de terra no município.
No pedido, a credora questiona ainda o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral por Pivetta. Segundo ela, o valor real seria de R$ 1,27 bilhão e não os R$ 575 milhões informados. Ela cita o fundo VN FIP MULTIESTRATÉGIA (CNPJ 14.549.712/0001-79), cujo patrimônio líquido teria chegado a R$ 1,27 bilhão em março de 2026.
A advogada relata que, mesmo após tentativas frustradas de penhora, Pivetta fez duas doações de recursos próprios à sua campanha, no valor de R$ 500 mil cada, sem quitar a dívida que, segundo ela, é cobrada desde 2019.
Denúncia à CVM, relação com a Reag e acordo de R$ 308 milhões com a Oi
A credora formalizou ainda uma denúncia junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ela sustenta que João Carlos Mansur, ex-sócio da Reag e um dos alvos da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, tem relação direta com a demanda envolvendo Pivetta. Além de Pivetta, o BTG Pactual também figura no polo da ação.
Segundo a advogada, relatório técnico decorrente da denúncia à CVM sugeriu o aprofundamento da apuração.
A advogada diz que notificou extrajudicialmente a Planner Corretora de Valores S/A e a América P. E. Administração de Recursos Ltda, que hoje administram fundos de investimento do executado, e que ambas não teriam cumprido ordens de penhora determinadas pela Justiça.
As duas empresas são alvo de inquérito da Operação Heritage, que apura desvio de recursos do estado de Mato Grosso por meio do acordo extrajudicial com a Oi, no valor de R$ 308 milhões.
Pedidos
Além do bloqueio de valores das contas de campanha de Pivetta, a advogada pede que seja requisitada à CVM cópia integral da denúncia e dos documentos produzidos pelo órgão regulador, e que seja oficiado à Procuradoria Geral da República, compartilhando documentos envolvendo a administradora REAG e seus executivos, para que os elementos sejam objeto de negociação na delação premiada que está sendo elaborada com João Mansur.