Nova mobilização militar na Rússia causa êxodo antes do
Cidadãos russos tentam deixar o país por medo de uma nova mobilização militar após as eleições. Confira agora os detalhes deste cenário de incertezas.
nova mobilização militar: Cidadãos russos buscam sair do país antes do término das eleições legislativas, temendo uma nova convocação militar para reforçar o conflito na Ucrânia.
A nova mobilização militar na Rússia tornou-se o principal temor de milhares de cidadãos, que buscam deixar o território nacional antes do encerramento das eleições para a Duma de Estado. Segundo o projeto anti-guerra Ark, os pedidos de auxílio para emigração dispararam quase oito vezes desde o início do verão. Esse movimento migratório coincide com o período eleitoral, que ocorre entre sexta-feira e domingo.
Críticos do Kremlin e diversos governos ocidentais sugerem que Moscou prepara o anúncio de uma nova convocação para reforçar as tropas na Ucrânia. A estratégia seria evitar que uma medida impopular impactasse negativamente o resultado das urnas. Embora Vladimir Putin tenha classificado os rumores como "puro disparate", a imprensa independente russa contabilizou 17 desmentidos oficiais sobre o tema desde julho.
Medo de nova mobilização militar gera êxodo
Jan Slovitsky, coordenador do projeto Ark, destaca que a atual onda de pânico é alimentada pelas lições aprendidas em 2022. O ativista, que presta suporte em Erevan, aponta que a escassez de combustível e as restrições de acesso à internet intensificaram a insegurança. Portanto, muitas pessoas optam por sair antecipadamente para evitar serem surpreendidas por bloqueios fronteiriços.
Os dados sobre a busca por auxílio demonstram a gravidade da situação:
O número de pedidos diários de relocalização saltou de 70 para 120 desde julho. Pesquisas no Google e Yandex por termos como "como sair" e "mobilização" atingiram níveis recordes. Dezenas de milhares de cidadãos já receberam avisos com instruções detalhadas para eventuais convocações. Além disso, o governo russo implementou um sistema de registro eletrônico que proíbe automaticamente a saída do país assim que uma notificação é emitida. Relatos recentes confirmam a eficácia desse controle. Um jovem de 24 anos, por exemplo, foi detido na fronteira de Krasnodar após receber uma notificação de impedimento, marcando um precedente preocupante.
Daniil Neonov, ex-candidato a deputado municipal em Moscou, relatou ter escapado por pouco. Ele afirmou que, se tivesse esperado apenas mais dois dias, sua saída teria sido bloqueada pelo sistema eletrônico. Contudo, ele conseguiu cruzar a fronteira antes que a restrição fosse efetivada em seu nome.
O receio de uma convocação forçada também atingiu membros da elite e funcionários de repartições de recrutamento. Informações da imprensa internacional indicam que muitos desses indivíduos começaram a transferir bens e abrir contas bancárias no exterior. Em agosto, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, alertou sobre planos do Kremlin para convocar centenas de milhares de pessoas até o final do ano.
Os destinos mais procurados pelos russos são países que não exigem visto, como Armênia, Geórgia e Cazaquistão. Embora a dimensão atual do êxodo seja incerta, especialistas acreditam que ela seja inferior à fuga de 2022, quando cerca de 700 mil pessoas deixaram o país. Para acompanhar mais desdobramentos, acesse as últimas notícias .
Por fim, o cenário político interno permanece restrito. As eleições para a Duma incluem apenas partidos que apoiam a guerra na Ucrânia. O partido Yabloko, que defendia um cessar-fogo imediato, foi impedido de participar pelo Supremo Tribunal em agosto, limitando as opções de oposição institucional para os eleitores russos.
Fonte: pt.euronews.com