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Morre Harald V, o monarca mais longevo da Europa, aos 89 ano

O rei Harald V da Noruega faleceu em Oslo após complicações de uma doença sanguínea. Seu filho assume o trono como Haakon VIII, marcando o fim de uma era de modernização.

A monarquia norueguesa confirmou o falecimento do rei Harald V, que ocupava o posto de soberano mais velho em atividade no continente europeu. O monarca veio a óbito às 6h35 desta quinta-feira, no Hospital Nacional de Oslo, onde estava internado desde a semana anterior para tratar uma condição hematológica rara.

O rei enfrentava um quadro de anemia hemolítica, uma patologia que resulta na destruição acelerada dos glóbulos vermelhos. Ao contrário de outros monarcas europeus que optaram pela abdicação nos últimos anos, Harald manteve-se no trono até o fim de sua vida, sendo reconhecido por seus esforços em modernizar a instituição real norueguesa.

Com a vacância do trono, seu filho, o príncipe herdeiro, tornou-se automaticamente o rei Haakon VIII. Embora a Constituição da Noruega tenha passado por uma reforma em 1990 para garantir que o primogênito, independentemente do gênero, tivesse prioridade sucessória, a regra não foi aplicada retroativamente, mantendo a precedência de Haakon sobre sua irmã.

Na estrutura política da Noruega, uma democracia com cerca de 5,5 milhões de habitantes, o papel dos monarcas é essencialmente simbólico e cerimonial. O poder executivo e legislativo permanece concentrado no parlamento eleito, enquanto a família real atua como uma figura de representação nacional.

Harald V ascendeu ao trono em 21 de janeiro de 1991, logo após o falecimento de seu pai, o rei Olav V. Durante seu longo reinado, o país viveu um período de prosperidade econômica impulsionado pela exploração de petróleo e gás. Ao assumir, o monarca adotou o lema tradicional da família: "Tudo pela Noruega".

Em diversas ocasiões, o rei refletiu sobre a continuidade da monarquia. Ele creditava a solidez da instituição ao trabalho de seus antecessores, afirmando que o legado de seu pai e avô impunha um desafio constante, mas que ele encarava com responsabilidade para manter a relevância da coroa.

Um dos momentos mais marcantes de seu reinado ocorreu em 2016, quando Harald proferiu um discurso em defesa da diversidade, da tolerância religiosa e dos direitos LGBTQ+. Na ocasião, ele destacou a pluralidade da sociedade norueguesa, mencionando a convivência entre diferentes crenças e orientações sexuais, o que gerou grande repercussão positiva globalmente.

Apesar de ter mantido a família real longe de escândalos graves por décadas, o reinado de Harald enfrentou desafios recentes. Sua filha, a princesa Märtha Louise, abdicou de funções oficiais após controvérsias envolvendo suas crenças espirituais e seu relacionamento com um xamã americano.

Mais recentemente, no início de 2026, a casa real foi envolvida em polêmicas envolvendo a princesa herdeira Mette-Marit, questionada por contatos antigos com o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein, embora não tenha enfrentado acusações formais. No mesmo período, Marius Borg Høiby, filho de Mette-Marit, foi condenado a quatro anos de prisão por violação, um caso que ganhou ampla cobertura da imprensa, apesar de ele não possuir títulos ou deveres reais. Fonte: pt.euronews.com