Ministro da Administração Interna recusa demissão e denuncia
Luís Neves afirma que não deixará o cargo, rejeita pressões do Chega e defende a legalidade do uso de viatura apreendida em investigação contra o tráfico de drogas.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, cumpriu a promessa de prestar esclarecimentos públicos sobre as polêmicas recentes que têm marcado sua gestão. Em declarações feitas a partir do Funchal, o governante reagiu à ameaça de uma moção de censura por parte do partido Chega, assegurando que não pretende abandonar suas funções no executivo. "Nada me fará desviar do propósito que me levou a aceitar este cargo", afirmou, classificando o atual cenário como uma campanha de intimidação.
Segundo o ministro, a estratégia adotada por seus críticos baseia-se em lançar suspeitas infundadas e atacar sua honra. "Escolheram o único método que conhecem: difamar e tentar intimidar. A mim, não me intimidam, jamais o farão. Nada disso me condiciona ou me impedirá de governar", declarou. Embora tenha admitido ter cometido erros pontuais, Neves garantiu que tais falhas não comprometem a integridade de sua atuação política ou as decisões tomadas em prol do Estado.
O ministro enfatizou que, ao longo de sua trajetória, nunca tomou qualquer decisão que pudesse prejudicar o país. Relembrando seu período como diretor nacional da Polícia Judiciária, ele ressaltou que sempre pautou suas investigações em provas concretas, argumentando que, sem evidências, qualquer acusação não passa de difamação.
A reação ocorre após o líder do Chega, André Ventura, ter anunciado que consultaria a bancada parlamentar sobre a viabilidade de uma moção de censura caso o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não resolvesse a situação de Neves. O ministro rebateu as críticas de Ventura, afirmando que não aceita ser retratado por ações que nunca cometeu. "Quem vive apenas da espuma do caos ignora a essência da governação", disparou.
Neves aproveitou o momento para criticar o que chamou de populismo, acusando seus opositores de buscarem o medo e o receio em vez de instituições fortes. O ministro lamentou ter sido comparado a um "gangster" por Ventura, ironizando que, pelo nível das acusações, só faltaria dizerem que ele estaria envolvido na venda de drogas nas ruas. "Podem continuar a gritar e a insultar. Há quem precise do caos para crescer, enquanto nós trabalhamos para fortalecer Portugal", reforçou.
Sobre a polêmica envolvendo a condução de um Volkswagen Golf GTD, que pertence ao traficante Rúben Oliveira, conhecido como "Xuxas" e detido em 2022, o ministro defendeu a legalidade do ato. Ele explicou que a utilização de bens apreendidos por órgãos de polícia criminal é permitida por legislação vigente desde 2007, destinada a fins operacionais.
O governante destacou que, enquanto esteve à frente da Polícia Judiciária, foi responsável pela afetação de mais de 800 viaturas e outros bens ao serviço do Estado. "Parece que agora alguém está do lado de quem comete crimes, preferindo que os criminosos fiquem com o patrimônio obtido através de atividades ilícitas", questionou.
O caso, que foi trazido a público por investigações jornalísticas, baseia-se no Decreto-Lei n.º 11/2007, que regula o uso provisório de bens apreendidos. Por fim, Luís Neves declarou estar totalmente disponível para prestar esclarecimentos durante a audição regimental no Parlamento, agendada para o próximo dia 8, onde pretende responder a todas as questões que lhe forem colocadas.
Em resposta ao discurso do ministro, André Ventura classificou a intervenção como "inqualificável", mantendo a tensão política entre o governo e a oposição.
Fonte: pt.euronews.com