Marine Le Pen planeja confronto com a UE antes das eleições
Marine Le Pen promete reduzir contribuição à UE e cortar ajuda à Ucrânia. Confira agora os detalhes da plataforma da candidata francesa para 2027.
A líder do partido de extrema-direita Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, busca a presidência da França com uma plataforma de confronto direto contra a União Europeia (UE). A candidata promete reduzir a contribuição francesa ao orçamento comunitário e encerrar o apoio financeiro à Ucrânia, caso seja eleita em 2027.
Em declarações recentes em Bruxelas, Le Pen afirmou que a França só poderia manter o auxílio a Kiev por seis meses, citando a fragilidade das finanças públicas nacionais. Ela classificou a interrupção do financiamento como uma questão de honestidade com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy.
Zelenskyy rebateu as críticas em entrevista ao Financial Times, sugerindo que a líder francesa desconhece detalhes estratégicos. O presidente ucraniano ressaltou que a experiência de seu país no campo de batalha oferece benefícios reais à segurança europeia, superando os custos financeiros envolvidos.
Marine Le Pen e as tensões com a União Europeia
A postura de Le Pen, que defende o fim das sanções contra a Rússia, assemelha-se à retórica do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Essa posição diverge frontalmente da visão da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que mantém um firme compromisso com a unidade euro-atlântica e o suporte à Ucrânia.
Especialistas alertam para os riscos dessa guinada política. Elie Tenenbaum, do Instituto Francês de Relações Internacionais, destaca que a ajuda francesa vai além do financeiro, possuindo um peso diplomático essencial para manter a Ucrânia ativa no conflito.
Dados do Instituto Kiel revelam a dimensão do envolvimento francês:
A França comprometeu cerca de 27 mil milhões de euros desde o início da invasão russa em 2022. Desse total, 7,9 mil milhões referem-se a ajuda bilateral direta. Aproximadamente 19 mil milhões foram canalizados através de mecanismos europeus. Além da questão ucraniana, Le Pen propõe limitar a contribuição líquida da França ao orçamento da UE para 5 mil milhões de euros anuais. Atualmente, esse valor gira em torno de 8 mil milhões, conforme registros do Senado francês. Analistas como Eulalia Rubio, do Instituto Jacques Delors, apontam que tal medida demonstra uma incompreensão sobre o funcionamento das instituições europeias.
A proposta de redução unilateral foi rejeitada pela Assembleia Nacional francesa, que preferiu manter os níveis de financiamento atuais. Contudo, o debate sobre a soberania nacional e a autonomia estratégica continua a dominar a agenda política do país.
Le Pen também criticou a Comissão Europeia por tentar fechar acordos orçamentais para o período de 2028-2034 antes das eleições em países-chave como França, Itália e Polónia. Ela descreveu esses esforços como antidemocráticos, enquanto o presidente Emmanuel Macron defende a celeridade nas negociações.
Por fim, a candidata promete desmantelar o Pacto Ecológico Europeu, alegando que as normas ambientais prejudicam o crescimento econômico. Especialistas advertem que, se cada Estado-membro adotar uma postura de desobediência regulatória, a própria estrutura jurídica da União Europeia poderá ser comprometida. Para acompanhar mais desdobramentos, acesse nossa categoria de notícias internacionais.
Fonte: pt.euronews.com