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Licitação de R$ 142 milhões do autódromo levanta questionamentos após propostas menores serem desclassificadas

Duas empresas apresentaram propostas de menor valor para a construção do autódromo do Parque Novo Mato Grosso, mas acabaram desclassificadas durante o processo

Duas empresas apresentaram propostas de menor valor para a construção do autódromo do Parque Novo Mato Grosso, mas acabaram desclassificadas durante o processo licitatório. Com a saída das concorrentes, o Consórcio Parque Novo Mato Grosso, liderado pela MTSUL, que inicialmente ocupava a terceira colocação, venceu a disputa com proposta de R$ 142.026.889,99.

Documentos do processo apontam que a OCC Construções apresentou proposta de aproximadamente R$ 139,1 milhões, enquanto a Engetal ofertou cerca de R$ 139,18 milhões. Ambas ficaram à frente do consórcio liderado pela MTSUL pelo critério de valor, mas foram posteriormente desclassificadas.

A Engetal apresentou recurso contra a decisão e sustentou que atendia às exigências da concorrência. A MTPar, no entanto, manteve a desclassificação sob o argumento de que requisitos de qualificação técnica previstos no edital não haviam sido cumpridos.

O recurso foi negado pelo então presidente da MTPar, Wener Klesley dos Santos, em decisão assinada em 31 de julho de 2025. Posteriormente, o contrato para execução das obras foi firmado com o consórcio liderado pela MTSUL pelo valor de R$ 142,02 milhões.

Representação pede investigação

O processo passou a ser alvo de novos questionamentos após uma representação criminal e por improbidade administrativa encaminhada ao Ministério Público em abril de 2026.

O documento solicita a apuração da licitação, dos contratos e de relações empresariais e familiares envolvendo pessoas mencionadas no caso.

Entre os nomes citados está Victor Matheus Peixoto Felisbino, apontado na representação como administrador da MTSUL desde 2023. De acordo com o documento, Victor é casado com Bruna dos Santos, filha de José Wagner dos Santos.

Ainda segundo a representação, José Wagner é irmão de Wener Santos e de José Aparecido dos Santos, conhecido como Cidinho Santos. A relação familiar foi incluída entre os pontos apresentados pelos autores para justificar o pedido de apuração.

O questionamento ocorre porque Wener presidia a MTPar e foi responsável pela decisão administrativa que manteve a desclassificação da Engetal no processo posteriormente vencido pelo consórcio liderado pela MTSUL.

A existência dessas relações, entretanto, não comprova por si só qualquer irregularidade. Os fatos apresentados na representação dependem de apuração pelas autoridades competentes.

Contratos chegam a R$ 208 milhões

Além do contrato de R$ 142,02 milhões, a representação menciona outros dois contratos firmados diretamente com a MTSUL para obras relacionadas ao autódromo.

Conforme os valores relacionados no documento, o contrato nº 066/2025 passou de R$ 42,23 milhões para R$ 49,19 milhões após aditivos. Já o contrato nº 067/2025 teria passado de R$ 13,79 milhões para R$ 16,88 milhões.

Considerando o contrato principal e os valores após os aditivos apontados na representação, o montante chega a aproximadamente R$ 208,1 milhões.

Os autores pedem que o Ministério Público apure contratos, pagamentos, processos administrativos e alterações societárias relacionadas aos envolvidos.

Até o momento, os questionamentos apresentados na representação não significam que tenha sido constatada irregularidade na licitação. No processo administrativo, a MTPar justificou a desclassificação da Engetal pelo não atendimento de requisitos técnicos previstos no edital.

O espaço permanece aberto para manifestação da MTPar, da MTSUL e dos demais citados.