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Júri em Malta absolve empresário acusado de ordenar o assass

Yorgen Fenech foi declarado inocente das acusações de cumplicidade e conspiração no homicídio da jornalista investigativa, ocorrido em 2017 através de um carro-bomba.

Um júri em Malta proferiu, nesta quarta-feira, um veredicto de inocência para o empresário Yorgen Fenech, que enfrentava acusações relacionadas ao assassinato da jornalista investigativa Daphne Caruana Galizia, ocorrido em 2017 por meio de um artefato explosivo instalado em seu veículo. O crime, que gerou comoção internacional, desencadeou uma onda de protestos que resultou na renúncia de um primeiro-ministro e revelou uma profunda cultura de impunidade no menor Estado-membro da União Europeia.

Fenech, uma figura proeminente no setor empresarial maltês, foi formalmente denunciado em 2021 por conspiração criminosa e cumplicidade. O empresário, que participava de um consórcio responsável por um contrato controverso com o governo local para a construção de uma central elétrica, era apontado pelo Ministério Público como o mentor intelectual do atentado, sendo acusado de planejar e financiar a execução. O réu sempre negou as alegações e, com a decisão do júri, foi absolvido de todas as acusações.

O julgamento de Fenech representava o desfecho do processo contra os seis indivíduos envolvidos no plano criminoso. Após a leitura da sentença, o empresário deixou o tribunal em Valletta sob um clima de tensão e protestos, sem realizar qualquer pronunciamento à imprensa. Daphne Caruana Galizia, aos 53 anos, perdeu a vida em 16 de outubro de 2017, quando seu carro explodiu nas proximidades de sua residência.

A jornalista era reconhecida por suas investigações rigorosas sobre esquemas de corrupção que envolviam a elite política e empresarial de Malta. Entre os alvos de suas reportagens estavam aliados próximos do então primeiro-ministro, Joseph Muscat, a quem ela acusava de manter empresas em paraísos fiscais, conforme apontado pelos documentos conhecidos como Panama Papers . Na época de sua morte, Caruana Galizia respondia a mais de 40 ações judiciais por difamação.

Um inquérito independente, publicado em 2021, concluiu que o Estado maltês deveria ser responsabilizado pelo assassinato, citando uma cultura de impunidade que permeava os níveis mais altos do governo. O desdobramento judicial do caso incluiu diversas condenações ao longo dos anos. Em 2022, os irmãos George e Alfred Degiorgio confessaram a autoria material do crime, recebendo penas de 40 anos de reclusão cada.

Já em 2025, Jamie Vella e Robert Agius foram sentenciados à prisão perpétua, a pena máxima no país, por terem fornecido o explosivo utilizado no atentado. Anteriormente, em 2021, Vincent Muscat admitiu sua participação e foi condenado a 15 anos de prisão. O caso também contou com a colaboração de Melvin Theuma, um taxista que atuou como intermediário e recebeu perdão presidencial em 2019 em troca de seu depoimento.

Os filhos da jornalista, que acompanharam de perto todo o processo em busca de justiça, estiveram presentes na sala de audiências durante a leitura do veredicto, mas optaram por não comentar a decisão no momento. Posteriormente, a família divulgou uma nota oficial nas redes sociais afirmando que a sentença negou a Daphne a justiça que ela merecia.

No comunicado, os familiares destacaram que, nove anos após o brutal assassinato, as falhas institucionais que permitiram o crime permanecem sem solução ou reformas adequadas. A nota reforça que a justiça duradoura exige que ninguém mais enfrente riscos semelhantes e que o país falhou ao não proteger a vida de Daphne, tendo agora a obrigação moral de evitar novas tragédias. Conforme a prática jurídica local, não foi permitida a presença de câmeras dentro do tribunal durante as sessões.

Fonte: pt.euronews.com