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Apostas online: jovens de 14 anos buscam ajuda contra vício

Especialistas alertam para o aumento de jovens viciados em apostas online. Confira os riscos, impactos financeiros e onde buscar ajuda agora.

O crescimento das apostas online tem gerado um cenário preocupante de endividamento e graves problemas de saúde mental entre a população brasileira. Integrantes de grupos de apoio, como a irmandade Jogadores Anônimos, relatam que cada vez mais jovens buscam auxílio para superar a dependência das chamadas bets.

Luiz Carlos, membro da organização, destaca que a presença de adolescentes na faixa dos 14 anos nos grupos de suporte tornou-se uma realidade frequente. Segundo ele, é comum que esses jovens cheguem acompanhados por psiquiatras, evidenciando a gravidade do quadro em idades precoces.

O impacto do vício em apostas online

Além disso, A trajetória de Gustavo Pereira, de 24 anos, ilustra os riscos dessa compulsão. Ele iniciou sua jornada nas apostas aos 18 anos e, ao longo de seis anos, acumulou prejuízos que somaram meio milhão de reais. O jovem relata que a ganância e a distorção da realidade financeira, alimentadas pela plataforma digital, fizeram com que ele perdesse a noção do valor do dinheiro.

A vulnerabilidade dessa faixa etária é explicada pela neurociência. A psicóloga Mariana Kehl, da Sociedade Brasileira de Psicologia, esclarece que o cérebro adolescente ainda está em desenvolvimento. Enquanto o sistema de recompensa, ligado à dopamina, opera intensamente, as áreas responsáveis pelo controle de impulsos e avaliação de riscos só amadurecem após os 20 anos.

Portanto, A facilidade de acesso aos jogos também é um fator determinante. Luiz Carlos, que lida com a recuperação há décadas, compara a era das máquinas de videopôquer com a atualidade:

Antigamente, era necessário sair de casa para encontrar um local de jogo. Hoje, o apostador carrega um cassino inteiro dentro do próprio bolso. O acesso constante facilita a recorrência do vício e dificulta a abstinência. A situação é corroborada por outros frequentadores do grupo, como Carla Xavier, Rogério e Rodrigo, que buscam na irmandade uma forma de retomar o controle de suas vidas. Carla observa que muitos chegam ao limite, enfrentando quadros de desespero e ideação suicida após perderem todo o patrimônio.

Dados do IBICT indicam que, em 2024, cerca de 24 milhões de brasileiros participaram de apostas, sendo que quase metade desse grupo terminou o período endividada. O diretor do instituto, Tiago Braga, reforça que as apostas não devem ser vistas como investimento, mas sim como um gasto que compromete necessidades básicas, como moradia e alimentação.

O impacto negativo também atinge a educação. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) revelou que:

34% dos entrevistados precisariam cortar gastos com apostas para iniciar uma graduação em 2026. 14% dos estudantes universitários já atrasaram mensalidades ou trancaram cursos devido ao comprometimento da renda com bets. Para mais informações sobre o tema, acompanhe a nossa categoria de notícias. A busca por ajuda profissional e grupos de apoio continua sendo o caminho mais eficaz para quem deseja romper o ciclo da dependência e recuperar a estabilidade financeira e emocional.

Fonte: midianews.com.br