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José Afonso Portocarrero: A trajetória de um mato-grossense

Uma reflexão sobre a vida e o legado de José Afonso Portocarrero, destacando sua conexão profunda com Mato Grosso e sua participação na história do estado.

Uma reflexão sobre a vida e o legado de José Afonso Portocarrero, destacando sua conexão profunda com Mato Grosso e sua participação na história do estado.

Nos primórdios de sua jornada, conforme remete a poesia de Casimiro de Abreu, meu pai encontrou amparo no farmacêutico Dr. Cláudio Fragelli. Figura histórica do divisionismo e radicado em Campo Grande, então parte de Mato Grosso, Fragelli era pai do futuro governador José Fragelli. Foi ele quem viabilizou a matrícula de meu pai como aluno interno no Ginásio Municipal de Campo Grande, instituição que viria a se tornar o Colégio Salesiano Dom Bosco, após o jovem ter sido inicialmente preterido em favor de um estudante com melhores condições financeiras.

Naquela ocasião, o mentor deixou um conselho que soaria como uma profecia: que o rapaz aproveitasse os estudos para, no futuro, contribuir com a divisão do estado de Mato Grosso. O Dr. Fragelli demonstrou uma visão extraordinária, ainda que não pudesse prever que aquele jovem franzino, natural de Bela Vista — hoje território sul-mato-grossense —, desempenharia um papel direto na cisão territorial décadas mais tarde.

O destino reservou a esse jovem o papel de integrar a equipe do governo de Mato Grosso durante o processo de transição em 1977, atuando na presidência do Banco do Estado (BEMAT). Foi um período de mudanças profundas que, sem sombra de dúvidas, trouxe benefícios significativos para o desenvolvimento de ambas as novas unidades federativas.

De maneira análoga, meu pai, que se mudou com a família para Cuiabá no início da década de 1960, já manifestava sua convicção de que a capital mato-grossense seria o local onde ele fincaria raízes definitivas, assim que sua rotina de vida itinerante permitisse uma pausa.

A vontade divina, ou do Grande Arquiteto do Universo, prevaleceu. Após períodos vivendo em estados do Sudeste, como Rio de Janeiro e São Paulo, o curso da vida trouxe meu pai de volta a Cuiabá no ano de 1970. A partir daquele momento, ele não deixou mais a capital.

Sua trajetória na cidade foi marcada por um profundo respeito e pelo exercício pleno da cidadania, estabelecendo vínculos raramente vistos com tamanha intensidade. O legado deixado por ele permanece como um exemplo de amor e dedicação a esta terra, consolidando uma história de vida que se confunde com a própria construção da identidade mato-grossense contemporânea.

Fonte: midianews.com.br