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Indústria da cortiça em Portugal: de rolhas a foguetes

Descubra como a indústria da cortiça em Portugal inova com tecnologia aeroespacial e sustentabilidade. Confira agora os detalhes desta transformação.

A indústria da cortiça em Portugal passa por uma transformação significativa, expandindo o uso do material para além das tradicionais rolhas de vinho. O processo começa nas florestas de sobreiros, onde a extração ocorre manualmente entre maio e agosto, respeitando ciclos biológicos rigorosos.

Carlos Abreu, do departamento de comunicação da Amorim Florestal, explica que um sobreiro pode produzir cortiça por até 200 anos. Contudo, a árvore exige um intervalo de nove anos para regenerar a casca, sendo necessária uma espera de 25 anos para a primeira colheita.

Esses prazos extensos desafiam os pequenos produtores, que compõem a maioria dos fornecedores. Nuno Oliveira, diretor florestal da empresa, destaca que o objetivo atual é demonstrar novas técnicas de gestão florestal que garantam rentabilidade e sustentabilidade aos proprietários.

A herdade de Rio Frio atua como um laboratório a céu aberto para essas inovações. Pesquisadores testam métodos para acelerar a primeira tiragem e selecionar plantas mais produtivas, mantendo o equilíbrio do ecossistema local. A inovação na indústria da cortiça

Após a colheita, a matéria-prima segue para unidades industriais avançadas. Fundada em 1870, a Amorim consolidou-se como uma multinacional com presença em mais de 100 países. Atualmente, a empresa emprega cerca de 4.000 pessoas e movimenta mais de mil milhões de euros anualmente.

A versatilidade do material permite sua aplicação em diversos segmentos. Confira os principais setores de atuação:

Construção civil e isolamento térmico; Revestimentos e pavimentos; Sistemas de vedação industrial; Componentes para a indústria aeroespacial. O setor aeroespacial destaca-se como uma das áreas de crescimento mais acelerado. Eduardo Soares, diretor de inovação, aponta que o material P50, um compósito de cortiça, serve como escudo térmico essencial para veículos lançadores de foguetes.

A empresa investiu mais de 90 milhões de euros em pesquisa e desenvolvimento na última década. Esse aporte tecnológico também aprimorou o negócio principal, eliminando o composto TCA, responsável pelo sabor indesejado em vinhos.

Para Portugal, a cortiça representa um pilar do patrimônio natural e cultural. Portanto, a busca por novas aplicações garante a preservação dessa tradição secular. Para mais informações, consulte a nossa categoria de notícias ou acompanhe as últimas notícias do setor.

Fonte: pt.euronews.com