Independência da energia russa: plano da UE falha, diz
O plano da UE para a independência da energia russa apresenta falhas graves segundo o TCE. Confira agora os detalhes sobre os desafios da transição.
A independência da energia russa na União Europeia enfrenta obstáculos significativos, conforme aponta uma auditoria recente do Tribunal de Contas Europeu (TCE). Quatro anos após o lançamento do plano estratégico para romper a dependência de combustíveis fósseis de Moscou, o bloco europeu apresenta resultados que ficam aquém das metas estabelecidas inicialmente.
Embora as importações de petróleo e gás tenham registrado quedas expressivas, os auditores recomendam cautela ao atribuir esses avanços exclusivamente ao REPowerEU. O relatório destaca que fatores externos, como invernos mais amenos e a redução do consumo por famílias e empresas devido aos preços elevados, foram determinantes para a diminuição da demanda.
Desafios para a independência da energia russa
Além disso, a sabotagem do gasoduto Nord Stream em 2022 alterou drasticamente o cenário, forçando a diversificação das fontes energéticas. Contudo, o TCE alerta que a União Europeia corre o risco de substituir uma dependência por outra, caso não desenvolva capacidade de produção limpa interna e infraestruturas robustas.
O relatório aponta pontos críticos que impedem o sucesso pleno da transição energética:
Capacidade de energias renováveis insuficiente frente às metas fixadas. Deficiência nas interligações elétricas transfronteiriças entre países. Baixa adesão ao financiamento disponível, com apenas uma fração dos recursos comprometida. Falta de metas específicas nos planos nacionais de energia e clima dos Estados-membros. A Comissão Europeia defende que o REPowerEU foi fundamental para reduzir a fatia do gás russo de 45% para 12% entre 2021 e 2025. Entretanto, o auditor Mihails Kozlovs afirma que o plano permanece estagnado, apesar do aporte de centenas de milhares de milhões de euros. O especialista ressalta a necessidade urgente de aprender com as tensões geopolíticas atuais.
O financiamento continua sendo um entrave central para a integração do sistema energético europeu. Dos 300 mil milhões de euros disponibilizados, os países comprometeram apenas 54,3 mil milhões. Estados-membros demonstram relutância em assumir novos empréstimos, preferindo recorrer ao mercado financeiro ou evitando o aumento da dívida nacional.
Para mais informações sobre o cenário geopolítico, consulte a nossa categoria de notícias. Bruxelas agora enfrenta o desafio de negociar com o Parlamento Europeu e o Conselho o futuro das redes elétricas do bloco. O objetivo é fechar acordos até o final do ano para evitar futuras vulnerabilidades energéticas.
Fonte: pt.euronews.com