Fávaro critica Flávio Bolsonaro após ataques ao setor de bio
O senador Carlos Fávaro rebateu declarações de Flávio Bolsonaro sobre o etanol, classificando a postura do colega como desrespeitosa com o agronegócio brasileir
O senador Carlos Fávaro rebateu declarações de Flávio Bolsonaro sobre o etanol, classificando a postura do colega como desrespeitosa com o agronegócio brasileiro.
O senador Carlos Fávaro (PSD), que já esteve à frente do Ministério da Agricultura e Pecuária na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou forte desaprovação às recentes críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) contra a indústria do etanol e o agronegócio nacional. Para Fávaro, as falas do parlamentar do PL demonstram um profundo desconhecimento técnico e uma falta de consideração com os produtores rurais responsáveis por grande parte da economia do país.
O embate político começou quando Flávio Bolsonaro comparou o aumento da mistura de etanol na gasolina ao fenômeno da "reduflação", alegando, ainda, que o biocombustível seria prejudicial aos motores dos veículos. Contudo, essa tese foi prontamente refutada por análises do Instituto Mauá de Tecnologia. Os laudos técnicos atestaram que a mistura de 32% (E32) é perfeitamente segura e não compromete o funcionamento ou a durabilidade da frota automotiva brasileira.
A repercussão negativa da fala de Flávio Bolsonaro motivou uma reação coordenada de seis entidades de peso do setor sucroenergético, incluindo a UNICA, UNEM, Bioenergia Brasil, FEPLANA, UNIDA e ORPLANA. Em nota oficial, as organizações repudiaram o posicionamento do senador, enfatizando que o incentivo aos biocombustíveis é uma política de Estado consolidada há 50 anos, atravessando diferentes gestões e ideologias políticas.
As entidades lembraram, inclusive, que o próprio Flávio Bolsonaro votou favoravelmente à Lei do Combustível do Futuro durante sua tramitação no Congresso Nacional. Esse paradoxo entre o voto do parlamentar e suas declarações recentes foi um dos pontos centrais do questionamento feito pelo setor produtivo, que defende a continuidade da transição energética como pilar de desenvolvimento.
Em sua defesa do setor, o senador Carlos Fávaro destacou o papel estratégico de Mato Grosso, que se consolidou como o maior produtor de etanol de milho do país. Segundo o parlamentar, o estado atua como uma potência energética sustentável, sendo fundamental para o equilíbrio da matriz de combustíveis do Brasil.
Fávaro argumentou que o fortalecimento dos biocombustíveis gera benefícios diretos para a população, ajudando a conter a inflação, criando postos de trabalho e reduzindo a emissão de gases poluentes. Além disso, o senador ressaltou que a produção interna reforça a soberania energética, diminuindo a dependência brasileira em relação à importação de petróleo, muitas vezes proveniente de regiões marcadas por instabilidades e conflitos internacionais.
Ao reiterar o compromisso do governo federal com a transição energética e o suporte ao produtor rural, Fávaro alertou que desqualificar a indústria de biocombustíveis é um erro estratégico. Para ele, tais ataques configuram um desserviço à economia nacional e prejudicam diretamente os milhares de trabalhadores que dependem do sucesso do agronegócio para o seu sustento.
Fonte: rdnews.com.br