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Faixa de Gaza: cobras e escorpiões ameaçam a segurança em

Deslocados na Faixa de Gaza enfrentam riscos graves com a proliferação de animais peçonhentos em tendas. Confira agora a situação humanitária na região.

A população deslocada na Faixa de Gaza enfrenta um perigo crescente dentro de suas próprias tendas: a presença constante de répteis, escorpiões e roedores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alertas sobre os riscos de envenenamento por picadas de cobra, em um cenário onde a maioria dos habitantes vive em condições precárias. Segundo o Grupo de Abrigo na Palestina, cerca de 1,98 milhão de pessoas, ou 94% da população local, necessitam de auxílio urgente com moradia e itens básicos.

Ameaça de cobras e escorpiões na Faixa de Gaza

Saber Abu Al-Ajine, que vive em uma área a leste de Deir al-Balah, relata que precisa revistar cuidadosamente cobertores e esteiras todas as noites antes de permitir que sua família durma. Para ele, a presença de ratos, insetos e cobras tornou-se parte de uma rotina exaustiva. O morador afirma que, embora tentem eliminar os animais que avistam, a sensação de vulnerabilidade é constante. Confira as últimas notícias sobre a crise humanitária na região.

Além disso, Dados do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) revelam a dimensão do problema ambiental nos locais de acolhimento:

83% dos locais avaliados apresentam proliferação de roedores e parasitas. Apenas 34% dos abrigos contam com serviços de gestão e acompanhamento regular. Mais de 70 mil casos relacionados a pragas foram notificados desde o início de 2026. A OMS destaca que a natureza dos abrigos temporários, a superlotação e a necessidade de permanência em áreas externas aumentam drasticamente o risco de encontros com cobras. O veneno desses animais pode causar paralisia respiratória, hemorragias graves e falência renal. Crianças, devido à menor massa corporal, estão ainda mais expostas aos efeitos fatais dessas picadas.

Portanto, Maher Abu Amra, profissional de uma unidade médica em Deir al-Balah, explica que a equipe frequentemente recebe pacientes com feridas de origem incerta. Em muitos casos, os familiares chegam trazendo o animal que causou o ferimento, embora a OMS desaconselhe essa prática devido ao risco de novos ataques. Além disso, o sistema de saúde local, que opera com capacidade reduzida, registra casos frequentes de insetos que entram nos ouvidos de crianças durante o sono.

Apesar dos esforços humanitários, que incluíram a distribuição de toneladas de raticidas e campanhas de pulverização, o ambiente permanece propício para pragas. A acumulação de escombros, estimada em mais de 60 milhões de toneladas, somada à presença de águas residuais e lixo próximo às tendas, cria um cenário de insalubridade persistente. Para famílias como a de Saber, a sobrevivência tornou-se um exercício diário de vigilância contra ameaças que se escondem sob o chão de terra.

Fonte: pt.euronews.com