Destaque Nortão

Eurodeputados de direita e extrema-direita protestam em Brux

Manifestantes reuniram-se diante do Parlamento Europeu para criticar a postura do governo espanhol frente à crise migratória no exclave de Ceuta.

Cerca de 500 pessoas concentraram-se na última quarta-feira diante da sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas, para manifestar descontentamento com a condução da crise migratória em Ceuta pelo governo da Espanha. O protesto ocorre em um cenário onde milhares de migrantes, parte de um contingente de mais de 70 mil pessoas que ingressaram no exclave espanhol desde o dia 30 de julho, permanecem na região.

A mobilização reuniu eurodeputados e assessores vinculados ao Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, e ao grupo Patriotas pela Europa, de extrema-direita. Com bandeiras da Espanha e de Ceuta em punho, os participantes dirigiram críticas severas ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, acusando-o de negligenciar a soberania e a integridade territorial do país.

Embora tenham sido convocadas separadamente pelo Partido Popular espanhol e pelo Vox, as manifestações ocorreram simultaneamente no mesmo local, marcando o Dia de Ceuta com uma presença conjunta de parlamentares de ambos os espectros políticos. Dolors Montserrat, vice-presidente do PPE, afirmou à imprensa que Sánchez teria transferido a responsabilidade pela segurança de Ceuta a terceiros, sugerindo uma submissão do governo espanhol aos interesses de Marrocos.

O clima de tensão foi agravado por uma reportagem do jornal digital El Español , que indicou que o Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (CENIF) da Espanha teria concluído que a entrada em massa de migrantes foi coordenada pelas forças de segurança marroquinas. A informação contradiz a postura oficial de Pedro Sánchez, que tem evitado apontar responsabilidades diretas a Rabat, mantendo o discurso de que Marrocos atua como um parceiro na gestão migratória.

Diante da repercussão, o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, solicitou ao diretor da polícia, Francisco Pardo, uma verificação sobre o suposto relatório enviado pelo CENIF a um juiz que investiga o caso. Pardo, por sua vez, negou a existência de qualquer documento oficial que atribua culpa direta ao governo marroquino pelo incidente.

Por parte do Vox, o tom foi de acusação de traição nacional. O eurodeputado Jorge Buxadé Villalba classificou o momento como o mais crítico para a Espanha desde a tentativa de secessão da Catalunha em 2017. O partido defende a aplicação do artigo 102 da Constituição espanhola, medida que poderia viabilizar um processo penal contra o primeiro-ministro e seu gabinete.

Além da pressão nas ruas, o Vox formalizou um pedido por escrito à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e ao comissário de Assuntos Internos, Magnus Brunner. O documento solicita que a entrada massiva de migrantes seja classificada como um “ato de guerra híbrida”, exigindo sanções contra Marrocos, a suspensão de acordos internacionais entre a União Europeia e o país africano, e o bloqueio na emissão de vistos para cidadãos marroquinos.

Em resposta aos questionamentos sobre o caso, a Comissão Europeia declarou que não comenta vazamentos de informações e reforçou que a investigação sobre o possível envolvimento de Marrocos no episódio é uma responsabilidade exclusiva das autoridades nacionais espanholas.

Fonte: pt.euronews.com