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Empresária cuiabana relata choque ao ser detida em operação

Thatiana Rabelo Mesquita Teodoro, dona do Tatu Bola em Cuiabá, nega envolvimento em crimes e afirma desconhecer os motivos que levaram à sua prisão pela Operação Bóreas.

A empresária Thatiana Rabelo Mesquita Teodoro, proprietária do restaurante Tatu Bola situado na Praça Popular, em Cuiabá, manifestou perplexidade durante sua audiência de custódia após ser detida na última terça-feira (25). Ela foi um dos alvos da Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal (PF) do Tocantins com o objetivo de desmantelar uma rede de tráfico internacional de entorpecentes.

Além da empresária, outras duas pessoas foram presas no decorrer da ação, que também cumpriu diversos mandados de busca e apreensão. Após ser detida por volta das 14h, Thatiana foi submetida a exames de corpo de delito na Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) e, posteriormente, encaminhada à sede da Polícia Federal na capital mato-grossense.

Em seu depoimento, a empresária demonstrou desconhecimento sobre as motivações específicas para sua prisão. Ela levantou a hipótese de que a medida tenha relação com o histórico de seu irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, que se encontra detido no Tocantins sob a acusação de envolvimento com o tráfico de drogas. "Eu não sei do que se trata. Tenho um irmão preso fora e imagino que deve ser algo ligado a ele, por conta do mandado de lá", declarou.

Visivelmente abalada, Thatiana descreveu o tratamento recebido como desproporcional, chegando a afirmar que se sentiu como uma "prisioneira federal". Segundo ela, o procedimento de condução até a perícia foi traumático e destoante de sua realidade cotidiana. "Eu fui levada como se fosse uma presidiária federal. Estou me sentindo em um mundo totalmente fora da minha realidade", desabafou.

A empresária enfatizou sua conduta ilibada e o histórico de vida em Cuiabá para questionar a necessidade da prisão. "Nunca pisei em uma delegacia e nunca fui chamada para prestar esclarecimentos. Nunca tive o nome no Serasa. Tenho comércio na cidade, residência fixa há 20 anos, declaro imposto de renda e minhas redes sociais são abertas", pontuou, ressaltando o temor de permanecer sob custódia.

A Operação Bóreas é conduzida pela PF em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Tocantins (Ficco/TO). Além das prisões, o Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas determinou o sequestro de bens, bloqueio de valores e a apreensão de aeronaves suspeitas de serem utilizadas pelo grupo criminoso.

De acordo com as investigações, a organização era especializada na logística de transporte de cocaína e armas de fogo oriundas da Bolívia e do Peru com destino ao território brasileiro. O esquema envolvia a utilização de pistas clandestinas e aeronaves próprias. Os investigados podem responder por crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em nota oficial divulgada nas redes sociais, o Grupo Alife Nino, responsável pela gestão da marca Tatu Bola, esclareceu que a unidade de Cuiabá opera de forma independente há mais de um ano. A empresa afirmou que a unidade sob responsabilidade de Thatiana possui apenas uma licença de uso da marca e negou qualquer vínculo societário ou administrativo com a empresária.

O grupo reforçou que não possui relação com os fatos apurados pela Polícia Federal e que adotará as medidas jurídicas necessárias para preservar seus direitos e sua imagem. Até o momento, a defesa de Thatiana Rabelo Mesquita Teodoro não retornou aos contatos feitos para comentar as acusações, mantendo-se o espaço aberto para futuras manifestações.

Fonte: rdnews.com.br