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El Niño: entenda o pico, a duração e os impactos globais

O El Niño de 2026 deve ser um dos mais fortes da história. Confira agora os impactos previstos, a duração do fenômeno e as consequências climáticas.

O El Niño , fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, deve marcar o ano de 2026 como um dos episódios mais intensos já registrados. Especialistas alertam que o mundo precisa se preparar para uma série de eventos meteorológicos extremos decorrentes dessa anomalia, que ocorre de forma irregular a cada dois a sete anos.

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) confirmou a instalação oficial do fenômeno na primeira semana de junho. Desde então, o aquecimento das águas abaixo da superfície e o enfraquecimento dos ventos alísios impulsionaram a intensidade do evento. Muitos meteorologistas já classificam o episódio atual como um "Super El Niño", comparando-o a registros históricos do século XIX.

Monitoramento e pico do El Niño

Dados do Serviço Copernicus de Mudança Climática indicam que a temperatura média da superfície do mar atingiu 21,05 °C em setembro, um recorde absoluto. O índice Niño 3.4, que monitora a região central do Pacífico, apresentou um salto significativo, passando de +1,6 °C em junho para uma previsão de +3,7 °C no trimestre entre outubro e dezembro.

A previsão oficial da WMO aponta que o fenômeno atingirá seu ápice em dezembro de 2026. A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, reforçou que a probabilidade de persistência até fevereiro de 2027 é quase total. Confira os principais pontos sobre o desenvolvimento do fenômeno:

Instalação rápida: O fenômeno se fortaleceu de maneira acelerada desde o meio do ano. Recordes de temperatura: As anomalias térmicas no Pacífico superam os registros de 2015-2016. Duração estimada: O evento deve se estender até a primavera de 2027, impactando o clima global. Os impactos do El Niño são sentidos globalmente, mas variam conforme a região. Enquanto a Europa pode enfrentar invernos mais amenos e chuvosos, áreas como a América do Sul, África Oriental e Ásia Central encaram riscos elevados de inundações. Por outro lado, regiões como a Austrália e partes da Indonésia sofrem com secas severas e incêndios florestais.

Além disso, a segurança alimentar global torna-se uma preocupação central. O Instituto IHE Delft alerta que a falha em colheitas de milho e feijão na Nicarágua, somada à escassez hídrica que afeta o Nordeste do Brasil, a Colômbia e a Índia, pode reduzir exportações e elevar preços de alimentos básicos. A dependência de águas subterrâneas nesses locais pode levar à exaustão de aquíferos.

É importante destacar que o El Niño não cria calor novo, mas libera a energia térmica acumulada nos oceanos. Contudo, o aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis agrava os efeitos. Estudos sugerem que as mudanças climáticas tornaram os episódios de El Niño cerca de 36% mais fortes do que no período pré-industrial.

Portanto, o ano de 2027 tem grandes chances de se tornar o mais quente da história. Para mais informações sobre o clima, acompanhe a nossa categoria de notícias. A combinação entre o fenômeno natural e o aquecimento antropogênico cria um cenário de incertezas para a resiliência dos ecossistemas e da economia mundial.

Fonte: pt.euronews.com