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Denúncias de violência contra mulheres envolveram nomes ligados à cúpula da Segurança Pública de MT

Mato Grosso permanece entre os estados brasileiros com elevados índices de violência contra a mulher. Dados referentes a 2025, reunidos pelo 20º Anuário Brasile

Mato Grosso permanece entre os estados brasileiros com elevados índices de violência contra a mulher. Dados referentes a 2025, reunidos pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram números expressivos de feminicídios, tentativas de feminicídio, violência doméstica, ameaças, perseguição e descumprimento de medidas protetivas. O levantamento é produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados fornecidos por órgãos oficiais.

Nesse contexto, episódios envolvendo autoridades e nomes que ocuparam funções estratégicas na estrutura de Segurança Pública de Mato Grosso também foram registrados nos últimos anos.

Um deles envolve o governador Otaviano Pivetta. Em 2021, quando era vice-governador, ele foi investigado após uma ocorrência envolvendo a então esposa em Itapema, Santa Catarina. A Polícia Civil catarinense chegou a indiciá-lo por lesão corporal leve. Pivetta negou ter cometido agressão.

O caso, porém, teve um desdobramento posterior que precisa ser considerado: em fevereiro de 2022, a Justiça de Santa Catarina acolheu pedido do Ministério Público e determinou o arquivamento do inquérito. Segundo o MP, não havia elementos suficientes para sustentar uma ação penal.

Em outro episódio, relacionado a alegações de ameaça, constrangimento ilegal, perseguição e violência psicológica feitas pela ex-companheira, o Ministério Público de Mato Grosso também promoveu o arquivamento do inquérito por considerar insuficientes os elementos para prosseguir com a acusação.

As denúncias também atingiram nomes que ocuparam cargos de comando na Segurança Pública. Em 2021, o coronel César Roveri foi denunciado por uma ex-companheira, capitã da Polícia Militar, por supostas agressões psicológicas e difamações. Na época, o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher chegou a solicitar ao Governo de Mato Grosso a revogação da nomeação de Roveri para a chefia da Casa Militar.

Outro caso envolve o delegado Rodrigo Bastos da Silva. Em 2024, uma ocorrência de violência doméstica, registrada sob o número 2024-230739 , relatou supostas agressões físicas e psicológicas. Reportagem publicada à época informou que o caso estava sob investigação e tramitava em sigilo.

Atualmente, Rodrigo Bastos ocupa o cargo de secretário-adjunto de Segurança Pública de Mato Grosso, conforme informações oficiais da própria Sesp.

Os episódios ganham relevância pública diante dos indicadores de violência contra mulheres registrados no estado. A própria Secretaria de Estado de Segurança Pública mantém bases específicas para acompanhamento de ocorrências e políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.

Os números nacionais consolidados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública também permitem comparar a situação de Mato Grosso com as demais unidades da Federação. O Anuário 2026 utiliza dados referentes a 2025 fornecidos pelas secretarias estaduais de Segurança, polícias e outras fontes oficiais.