Crise migratória em Ceuta gera confronto no Parlamento
O Parlamento Europeu debate a crise migratória em Ceuta, revelando divisões entre grupos políticos. Confira agora os detalhes deste confronto político.
A crise migratória em Ceuta tornou-se o centro de um acalorado debate no Parlamento Europeu nesta terça-feira. O confronto ocorreu entre os principais grupos que sustentam a maioria centrista, o Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas e Democratas (S&D), apenas um dia antes do discurso sobre o Estado da União de Ursula von der Leyen.
A discussão focou nas consequências da entrada irregular de cerca de 80 mil pessoas no enclave espanhol entre 30 e 31 de julho, evento que resultou em mais de 150 mortes. A líder socialista Iratxe García Pérez acusou o PPE de explorar a situação apenas para atacar o governo espanhol.
Tensões políticas sobre a crise migratória em Ceuta
Os eurodeputados do S&D defenderam o governo de Pedro Sánchez e criticaram a falta de solidariedade de outros Estados-membros. O italiano Sandro Ruotolo, por exemplo, questionou a postura de Roma, que prolongou controles de fronteira com a Espanha, acusando o governo de Giorgia Meloni de aplicar dois pesos e duas medidas em relação a Lampedusa.
Por outro lado, o PPE manteve uma postura crítica severa contra a gestão de Madrid. Os parlamentares de centro-direita alegam que o governo espanhol permitiu uma "invasão" ao não conter o fluxo migratório. Além disso, citaram relatórios policiais que sugerem que forças marroquinas teriam incentivado a travessia, aumentando a pressão sobre o governo espanhol.
Entre os pontos de discórdia levantados pelos parlamentares, destacam-se:
A suposta omissão do governo espanhol diante de relatórios de inteligência sobre a fronteira. O plano de regularização de migrantes sem documentos promovido por Sánchez. A falta de consenso europeu sobre as políticas de asilo e gestão de crises. O eurodeputado neerlandês Jeroen Lenaers, do PPE, criticou Sánchez por buscar solidariedade europeia após ter resistido a ferramentas comuns de prevenção. A resolução sobre o tema será votada na próxima quinta-feira, e espera-se uma batalha política intensa sobre a redação final do documento.
A migração deve ser um tema central no discurso de von der Leyen, com propostas esperadas para restringir direitos de asilo e fortalecer a Frontex. O debate também foi marcado por intervenções de grupos de extrema-direita e da esquerda radical, que trocaram acusações e insultos no plenário.
Isabel Serra Sánchez, do Podemos, acusou a extrema-direita de fomentar o ódio no enclave, enquanto outros parlamentares, como Jorge Buxadé Villalba, do Vox, protagonizaram momentos de tensão. Em um dos episódios mais emblemáticos, a liberal sueca Abir Al-Sahlani questionou a compreensão geográfica de colegas sobre o território ao perguntar: "Sabe onde fica Ceuta?"
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Fonte: pt.euronews.com