Catástrofe no Himalaia: Enchentes deixam mais de 160 mortos
Deslizamentos de terra e inundações na fronteira entre Nepal e China deixaram ao menos 160 mortos e centenas de turistas desaparecidos após destruição de infraestrutura.
Uma tragédia de grandes proporções atingiu a região fronteiriça do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). De acordo com dados fornecidos pela polícia nepalesa, o número de corpos resgatados após as inundações torrenciais já chega a 160. Do lado chinês, as autoridades locais confirmaram a morte de três pessoas e o desaparecimento de outras 265, vítimas de um grave deslizamento de terra.
O cenário é de incerteza quanto ao paradeiro de quase 400 viajantes que estavam na região no momento do desastre. Entre os desaparecidos, há uma parcela significativa de estrangeiros. O conselho de turismo do Nepal, por meio de uma nota oficial publicada na rede social X, informou que um levantamento preliminar, baseado em dados de agências de viagens, aponta 384 pessoas perdidas, sendo 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses.
A lista de nacionalidades dos turistas desaparecidos é extensa e inclui cidadãos da Austrália, Índia, Reino Unido, Países Baixos, África do Sul e Malásia. A força das águas causou uma destruição generalizada, comprometendo severamente a infraestrutura local, incluindo estradas, pontes e redes de distribuição de energia elétrica.
No Tibete, o temor das autoridades é de que o saldo de vítimas fatais seja ainda maior. Relatos indicam que um deslizamento de lama atingiu uma importante passagem terrestre que conecta os dois países, especificamente no condado de Gyirong, gerando preocupação imediata com o impacto humano na região.
As operações de socorro enfrentam obstáculos severos. Helicópteros de resgate não conseguiram realizar pousos nas áreas mais críticas, como Syapru Besi e Timure, situadas no distrito montanhoso de Rasuwa. A região, que abriga cerca de 50 mil habitantes, viu o rio transbordar de seu leito habitual, isolando comunidades inteiras e impedindo o acesso das equipes de emergência.
Registros visuais transmitidos por emissoras de televisão revelam a dimensão do desastre: casas inteiras desmoronaram sob a força da correnteza, veículos foram arrastados e estruturas metálicas, como pontes, foram levadas pela água. Testemunhas que presenciaram o evento relataram à agência de notícias Reuters que vilarejos inteiros foram submersos.
Narendra Pariyar, administrador distrital, alertou para a possibilidade de um número elevado de vítimas e perdas materiais incalculáveis. Ele fez um apelo urgente para que os moradores que vivem nas proximidades do rio Bhote Koshi abandonem suas casas e busquem refúgio em áreas de maior altitude, diante dos relatos de canteiros de obras e vilas sendo varridos pela enchente.
O sentimento de desolação é compartilhado por quem vive na região. Tula Bahadur BK, um agente de saúde que atua em Rasuwa, descreveu o cenário como devastador. Segundo ele, os assentamentos situados às margens do rio foram completamente dizimados pela força da água. O drama pessoal também atinge os socorristas, com Tula relatando que cinco de seus próprios familiares permanecem desaparecidos desde o início da catástrofe.
Fonte: rdnews.com.br