Avanço da seca global coloca crise climática no centro das d
A COP17, na Mongólia, debate o aumento de 30% na frequência das secas desde 2000. Fenômeno já atinge regiões antes consideradas seguras e preocupa autoridades.
A COP17, na Mongólia, debate o aumento de 30% na frequência das secas desde 2000. Fenômeno já atinge regiões antes consideradas seguras e preocupa autoridades.
O fenômeno da seca deixou de ser uma preocupação restrita às zonas áridas do globo, expandindo-se para territórios que, até pouco tempo atrás, eram vistos como menos suscetíveis a esse tipo de desastre ambiental. Dados da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) revelam que, desde o início do milênio, a duração e a recorrência desses eventos climáticos cresceram cerca de 30%.
Essa realidade alarmante será o foco principal da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). O evento será sediado em Ulaanbaatar, na Mongólia, com atividades programadas entre este domingo (17) e o dia 28 de agosto.
Yasmine Fouad, secretária executiva da UNCCD, enfatizou a necessidade de medidas imediatas e práticas nos territórios mais vulneráveis. Em declaração à Agência Brasil, a representante destacou que o desafio atual ultrapassa o simples reconhecimento da seca como um risco global, exigindo uma atuação preventiva eficaz para proteger economias, comunidades e evitar crises que ultrapassem fronteiras.
As previsões para as próximas décadas são preocupantes. Estima-se que, até 2050, cerca de 75% da população mundial possa sofrer os efeitos diretos da escassez hídrica. Paralelamente, a projeção para 2030 indica que a demanda global por água superará a oferta disponível em até 40%, agravando a instabilidade social e econômica.
O cenário brasileiro também reflete essa tendência preocupante. Em julho de 2026, todas as cinco regiões do país registraram episódios de seca, variando em níveis de intensidade. O monitoramento apontou que, ao menos, 157 municípios brasileiros enfrentaram um quadro classificado como seca severa .
Essa classificação técnica indica que tais localidades sofreram com uma redução drástica na umidade do solo e um estresse hídrico acentuado na vegetação local. O impacto direto desse fenômeno resulta em perdas significativas para a agropecuária e no comprometimento do abastecimento de água para as populações afetadas.
A discussão na COP17 busca, portanto, alinhar estratégias internacionais para mitigar esses danos. A expectativa é que os líderes mundiais presentes na Mongólia consigam estabelecer compromissos mais robustos para a gestão dos recursos hídricos e para o combate aos processos de desertificação que avançam sobre áreas anteriormente férteis.
A crise, que vai da Amazônia à Europa, demonstra que a resiliência climática tornou-se uma pauta urgente para a segurança global. A conferência servirá como um termômetro para avaliar a disposição das nações em investir em tecnologias de adaptação e políticas públicas voltadas à preservação dos ecossistemas essenciais para a manutenção da vida humana.
Fonte: midianews.com.br