Andrew Bailey alerta que avanços na IA colocam em risco a es
O presidente do FSB, Andrew Bailey, advertiu o G20 sobre os perigos de novos modelos de IA para o sistema financeiro, citando riscos cibernéticos e instabilidade.
O governador do Banco da Inglaterra e presidente do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), Andrew Bailey, emitiu um alerta contundente sobre os riscos que as novas tecnologias de inteligência artificial impõem à economia mundial. Em uma carta enviada no dia 28 de agosto aos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, o dirigente destacou que a inovação tecnológica, se não for devidamente monitorada, pode comprometer o crescimento e a resiliência dos mercados globais.
O documento foi entregue antes da cúpula realizada em Asheville, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Segundo Bailey, o FSB mantém o compromisso de monitorar vulnerabilidades emergentes e garantir que o progresso tecnológico caminhe lado a lado com a segurança financeira, especialmente em um momento em que muitos países ainda carecem de regulamentações robustas para lidar com essas ferramentas.
O cenário econômico atual é marcado por uma volatilidade acentuada. Bailey aponta que a combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionam os preços da energia e a inflação, somada aos pesados investimentos em IA nos EUA e às políticas comerciais imprevisíveis da administração de Donald Trump, cria um ambiente de incerteza sem precedentes.
A preocupação central reside na nova geração de modelos de IA, capazes de detectar e explorar falhas em infraestruturas críticas, como sistemas bancários e servidores sensíveis. O potencial de danos a essas estruturas é considerado catastrófico para a economia global. Como exemplo, o dirigente mencionou o modelo Mythos , desenvolvido pela Anthropic e apresentado em abril de 2026, que possui habilidades avançadas de programação e cibersegurança, mas que permanece restrito ao uso público devido aos seus riscos inerentes.
De acordo com Bailey, a chamada “IA de fronteira” tem o poder de transformar a velocidade e a escala dos riscos cibernéticos. O governador ressaltou que a dependência de prestadores de serviços terceirizados, que apresentam alta concentração no mercado, torna o sistema financeiro ainda mais vulnerável a ataques orquestrados por essas tecnologias.
O presidente do FSB defendeu que a implementação de diretrizes globais para o uso responsável da IA deve ser tratada como uma prioridade absoluta. Para ele, a cooperação internacional é essencial para sustentar o crescimento econômico e proteger a confiança dos investidores em todo o sistema financeiro.
Um ponto crucial levantado por Bailey é a natureza transfronteiriça da tecnologia. O dirigente enfatizou que a inteligência artificial não respeita limites geográficos, o que significa que um incidente cibernético iniciado em uma jurisdição pode desencadear uma crise sistêmica global. As disparidades nas legislações nacionais e na capacidade de resposta cibernética entre os países são, por si só, fatores que aumentam a fragilidade do sistema.
Diante desse quadro, o FSB exorta empresas e órgãos reguladores a se prepararem para um ambiente de ameaças mais dinâmico, exigindo sistemas de segurança mais ágeis e capazes de correções rápidas. O debate sobre essas medidas de proteção continuará a ser pauta central nas discussões do G20, com o próximo encontro agendado para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida.
Fonte: pt.euronews.com