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Advogado contesta denúncia de violência de gênero e aponta p

Após medida protetiva, advogado Reinaldo Américo Ortigara nega ofensas de gênero e alega que conflito em condomínio de Cuiabá foi motivado por disputa sobre área comum.

O advogado Reinaldo Américo Ortigara, alvo de uma denúncia por violência de gênero contra a também advogada Silvana Alves de Souza, manifestou-se publicamente sobre o caso. A controvérsia, que teve início em um grupo de WhatsApp de um condomínio em Cuiabá, resultou na concessão de uma medida protetiva de urgência contra o profissional, decisão que ele afirma ter recebido com perplexidade.

A ordem judicial, expedida pelo juiz plantonista Jean Garcia de Freitas Bezerra, estabelece que Ortigara deve manter uma distância mínima de um quilômetro de Silvana, de seus familiares e das testemunhas do episódio. Além disso, o advogado está proibido de manter qualquer tipo de contato com a denunciante, frequentar seu local de trabalho ou residência, e teve restrições impostas quanto ao porte de armas e participação em grupos de mensagens dos quais a advogada faça parte.

Em nota oficial, a defesa de Ortigara sustenta que não houve, em nenhum momento, qualquer ato que pudesse ser classificado como violência de gênero. O advogado argumenta que a discussão foi desencadeada por reclamações sobre a vocalização de araras mantidas na residência de sua namorada, a delegada Angelina de Andrade Ferreira. Segundo ele, a decisão de se manifestar ocorreu apenas devido à repercussão do caso na imprensa e ao risco de prejuízo à sua reputação.

O ponto central da defesa de Ortigara reside em um suposto "canil improvisado" mantido por Silvana e seu marido, o delegado Bruno Abreu. O advogado alega que os vizinhos utilizam uma área comum do condomínio para abrigar animais, cujos dejetos não seriam recolhidos adequadamente, gerando um odor insuportável e problemas de salubridade. Ele afirma que, desde dezembro de 2025, tem registrado a situação junto à administração do condomínio, sem obter respostas.

Por outro lado, Silvana Alves de Souza contesta a versão do advogado, afirmando que o espaço destinado aos animais está localizado dentro dos limites de sua própria residência, e não em uma área comum do condomínio. A advogada relatou que, após ser incluído no grupo de moradores, Ortigara teria direcionado ofensas pessoais a ela, utilizando termos de baixo calão e comparando-a a animais.

A denúncia aponta que, durante a troca de mensagens, a advogada sugeriu que o profissional repetisse as acusações diante de seu marido. Em resposta, Ortigara teria escrito "só marcar o dia e a hora", frase que foi interpretada pela vítima como uma ameaça. A advogada também afirmou que ele teria mandado que ela "enfiasse no rabo" as providências que pretendia tomar, o que motivou a busca por proteção judicial.

O caso ganhou destaque por representar uma das primeiras aplicações da Lei Maria da Penha em Mato Grosso em um contexto de conflito sem relação doméstica, familiar ou afetiva entre as partes. A Justiça determinou, ainda, a disponibilização do botão do pânico para a vítima e o acompanhamento pela Patrulha Maria da Penha.

Ortigara insiste que o uso da expressão "porcos" nas mensagens foi uma referência direta à falta de higiene do local onde os vizinhos mantêm os animais. Ele nega qualquer intenção de atacar a condição de gênero da advogada e afirma que as provocações partiram dos vizinhos, que teriam questionado sua masculinidade e o incitado a confrontar o marido de Silvana.

Por fim, o advogado informou que está adotando medidas legais para exigir a desocupação da área comum que, segundo ele, está sendo utilizada indevidamente pelos vizinhos. Ele reforça que, embora o caso tramite em segredo de Justiça, sentiu-se compelido a esclarecer sua versão dos fatos para rebater as acusações de violência de gênero, as quais considera infundadas diante do contexto de desentendimento condominial.

Fonte: midianews.com.br